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Coronadaily em Português | Somos Todos Assassinos? |22/03/2020

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Tradução de Angelica Mari

Cronycle produces a daily newsletter on Covid19 which can be found in full here.

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Covid-19 – Somos todos assassinos? | 315,267 | Mortes 13.590

Resumo dos dados diários:

315.267 casos cumulativos (+24.330)

Casos ativos: 205.785 (+20.417) (este é o número de pacientes atualmente infectados)

Morte total: 13.590 (+1.639)

Casos graves / críticos: 10.128 (+1.767)

Fonte: https://www.worldometers.info/coronavirus/

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Curvas de óbito (atualizadas diariamente quando do lançamento do ECDC). Atualização importante com gráficos por país agora está disponível❗️ (Link)

Em 12 de setembro de 2001, Jean Marie Colombani escreveu um artigo para o jornal francês Le Monde intitulado “Somos todos americanos” (versão francesa aqui). A data de 11 de setembro e as palavras de Colombani tiveram um impacto tão profundo que, quando uma catástrofe nos atinge, alguém da esfera pública se apressa com o #somostodos [INSERIR CATASTROFE AQUI]. É um atalho conveniente para se relacionar em escala no nosso mundo instantâneo alimentado pelas mídias sociais. Ou seria mais apropriado chamá-lo de “comício em escala”.

Em setembro passado, fui ouvir Robert Putnam em um Tortoise Media ThinkIn, falando sobre “Quem somos nós?”. Robert Putnam havia escrito Bowling alone: the collapse and revival of american community (“Jogando boliche sozinho: o colapso e o renascimento da comunidade americana”, em tradução livre). Durante sua palestra, ele reiterou que iniciativas comunitárias estavam no nível mais baixo de todos os tempos na América e em todo o mundo. Putnam, desde que escreveu seu livro, encontrou uma maneira de quantificar isso exatamente criando uma razão. A razão foi derivada da divisão da análise n-gram (a frequência com que os termos aparecem nos livros) de ‘nós’ pela análise n-gram de ‘eu’. Atualmente, essa relação está no nível mais baixo de todos os tempos, puxada principalmente por um aumento no denominador, e esse índice estava em declínio desde 1964 (mais uma vez, numerador e denominadores …).

Portanto, em um momento em que precisamos de comunidades fortes, quando precisamos nos concentrar no ‘nós’, e não no ‘eu’, para combater esse vírus com êxito, de forma rápida e duradoura, estamos no mais baixo de todos os tempos nesse índice. O “eu” é mais importante que o “nós”, e precisamos desesperadamente que seja o contrário. Nos preocupamos com o fato de os millennials serem disseminadores do vírus e alguns suspeitam que eles sejam responsáveis ​​pelo aumento do ‘eu’ mais do que o mais velho ‘está’ em maior risco de COVID19. Mas talvez esse panorama seja mais complexo e talvez a sociedade tenha uma responsabilidade coletiva maior.

E para nos exortar a agir, a “liderança” e os influenciadores das mídias sociais nos bombardeiam com hashtags como #FiqueEmCasa e quetais. E parece que isso não está funcionando … Alguns governos precisam ser autoritários e ordenar o que ‘eu’ e ‘nós’ estamos autorizados a fazer enquanto países como o Reino Unido ainda esperam que isso não seja necessário.

Às vezes, esse autoritarismo é ajudado pela tecnologia, como relatei ontem, onde os viajantes a Hong Kong podem ter que usar uma pulseira eletrônica como fazem os criminosos em prisão domiciliar. Várias pessoas entendem, por causa da irresponsabilidade do comportamento dos outros. É a única maneira de fazer com que  os outros entendam. Como se o que fazemos para controlar o ‘é’ nunca afetasse o ‘nós’ no longo prazo. E ninguém pergunta se a falta de comunicação ou mentiras sobre a ameaça que representa o COVID19 desde a descoberta da doença no Ocidente, a supervisão na preparação da inevitabilidade de uma pandemia zoonótica nos últimos dez anos, tem alguma responsabilidade nesse comportamento “irresponsável” do Estado. ‘ Talvez eles estejam surpresos que as pessoas tenham reagido melhor ao #GetBrexitDone (conclua o Brexit, a saída do Reino Unido da União Europeia) do que ao #FiqueEmCasa. Se for esse o caso, temos um problema cívico e social que vem se formando há algum tempo, como afirma Putnam.

Parece cada vez mais provável que medidas draconianas serão impostas e que o livre arbítrio e a responsabilidade das pessoas não tenham chance por muito mais tempo, considerando todos os erros de nossos respectivos governos e o longo declínio de nosso profundo senso de envolvimento comunitário e cívico desde cerca de 1964. É igualmente importante que comecemos a repensar sobre iniciativas para o bem comum.

Na página de descrição da Amazon de “Bowling alone” está escrito:

    “Há um século, os meios de conexão dos cidadãos norte-americanos estavam em baixa depois de décadas de urbanização, industrialização e imigração os afastaram de famílias e amigos. Essa geração demonstrou capacidade de renovação criando as organizações que uniram os americanos. Putnam mostra como podemos aprender com eles e reinventar ações comuns que nos tornarão seguros, produtivos, felizes e esperançosos.”

É a geração COVID19, como a pós-industrialização, que precisa iniciar essa reinvenção de iniciativas comuns. Independentemente do que for decidido pelos governos, esse trabalho comunitário que já começou precisa ser fortalecido ao combatermos o COVID19. É uma reprise de outros tempos, necessária para mudar nossas políticas, prioridades e enfrentar com êxito os outros complexos desafios que enfrentamos.

Vamos cuidar das nossas comunidades e responder com nossas ações (e não hashtags) um retumbante “Não” à pergunta: “Somos ‘todos’ assassinos?”

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