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Coronadaily em Português | Vício em modelos | 27/03/2020

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Tradução de Angelica Mari

Cronycle produces a daily newsletter on Covid19 which can be found in full here.

Coronavirus

Covid-19 – Vício em modelos| Casos 525,811 | Mortes  23,714


Resumo dos dados diários:

525,811 casos acumulados (+38,748)

Casos ativos: 347.461 (+44.171) (este é o número de pacientes atualmente infectados)

Total de Mortes: 23,714 (+1,689) 


Casos graves/críticos: 19,430  (+1,721) 


Fonte:  Worldometers

Curvas de mortes (atualizadas quando o ECDC libera dados diariamente). Atualização importante com gráficos por país disponível❗️ (Link)

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O vício em modelos

Os Estados Unidos são agora o país com o maior número de infectados (85.762 casos cumulativos), 3,3 milhões de americanos ficaram desempregados nesta semana e hoje pela manhã o primeiro ministro britânico Boris Johnson testou positivo para COVID-19 com sintomas leves até agora.

O caso dos EUA é particularmente preocupante, embora a resposta do setor privado ao vírus seja impressionante. Será que a anti-fragilidade que isso confere ao país como um todo equilibrará algumas de suas mais óbvias fraquezas?

Hoje eu quero falar sobre o “vício em modelos” – não aquele que pode ter chamado a sua imaginação há algumas semanas atrás. Os nomes em que estou pensando quando falo sobre esse vício são: Ferguson, Lipsitch, Kucharski, Rivers, Bedford et al. Eles são os epidemiologistas que estão colocando modelos no domínio público e na frente dos políticos. Eles chamam nossa atenção, mas esses trabalhos carregam o espectro da morte com eles: morte de pessoas, economia ou ambos. Ou talvez estejamos atribuindo muito peso a eles e seus modelos matemáticos e, provavelmente, uma responsabilidade indevida. Talvez seja a nossa ansiedade que nos faz atribuir uma classificação “Morrer” ou “Viver” ao final de suas análises (denominadas “papers” no mundo acadêmico). Ao fazer isso, estamos fazendo algo parecido com a classificação “Comprar” ou “Vender” dos analistas financeiros e continuando a alimentar nossa crescente obsessão por números. A ilusão da certeza.

Como o estatístico George Box (citado no meu boletim de ontem) supostamente disse: “Todos os modelos estão errados, mas alguns são úteis”. É nossa incapacidade de sustentar a incerteza radical que a COVID-19 traz que nos faz interagir da maneira que fazemos com os modelos de epidemiologia. Por que, ao lidar com um problema ainda mais complexo do que algo na esfera econômica ou financeira, devemos tratar suas análises e seu campo de forma diferente do que lidamos com outras previsões.

E por que nossa energia e tempo devem ser gastos em determinar se eles estão certos ou errados, em vez de aceitarmos que esses modelos são úteis para orientar nosso comportamento e decisões políticas? E se aceitássemos apenas que esses modelos não sustentam toda a verdade, mas podem ajudar todos nós a gerenciar melhor a incerteza e os riscos da situação? E se formos bem-sucedidos em “achatar a curva”, nunca devemos dizer que esses modelos eram pessimistas porque a política funcionou.

É do interesse tanto da epidemiologia quanto do público que demos o valor que modelos objetivamente merecem. Subestimar seu valor seria errado, assim como seria errado dar virtudes divinas a esses modelos. O importante é que suas análises continuem sendo tornadas públicas e abertas ao debate, e que a responsabilidade esteja com os tomadores de decisão que se beneficiaram delas (desde indivíduos até líderes em governos).

Vamos encarar a incerteza radical e nosso confinamento com a ajuda de modelos, mas não vamos nos autoinfligir os males do vício em modelos.

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